A BMW colocou um ponto final na trajetória do Z4. O roadster teve sua produção encerrada oficialmente na fábrica da Magna Steyr, na Áustria, encerrando não apenas a atual geração do esportivo, mas também levantando dúvidas sobre o futuro dos conversíveis de dois lugares dentro da marca alemã.
Sem substituto confirmado, o Z4 deixa o mercado como um dos últimos representantes de uma categoria que já foi símbolo de liberdade, desempenho e prazer ao dirigir. Agora, restam apenas algumas unidades disponíveis em mercados específicos ao redor do mundo. No Brasil, o modelo já havia deixado as concessionárias desde 2022.
O adeus do Z4 acompanha uma transformação cada vez mais evidente na indústria automotiva. Montadoras vêm concentrando investimentos em SUVs, eletrificação e plataformas globais, enquanto carros de nicho, como os roadsters, acabam perdendo espaço lentamente.

Uma história iniciada com a letra “Z”
A família Z nasceu no fim dos anos 1980 com o ousado Z1. A letra vinha da palavra alemã “Zukunft”, que significa “futuro”. Desde então, modelos como Z3, Z8 e o próprio Z4 ajudaram a construir uma identidade esportiva e emocional dentro da BMW.
A geração mais recente do Z4, conhecida internamente como G29, chegou ao mercado em 2019 após um intervalo de três anos sem o modelo. Agora, a pausa parece bem mais séria e sem previsão de retorno.

Projeto compartilhado com o Toyota Supra
Para manter o esportivo viável financeiramente em um segmento cada vez menor, a BMW apostou em uma parceria com a Toyota. O Z4 dividia plataforma, eletrônica e conjunto mecânico com o Toyota Supra, que também teve produção encerrada recentemente na mesma fábrica austríaca.
Na versão mais forte, o roadster alemão utilizava um motor 3.0 turbo de seis cilindros em linha, entregando 387 cavalos e tração traseira. Um conjunto feito sob medida para quem gosta de dirigir de verdade.
Durante boa parte da produção, o modelo utilizou câmbio automático de oito marchas. Porém, nos últimos anos, a BMW surpreendeu os entusiastas ao lançar uma versão manual de seis marchas, resgatando uma experiência mais pura ao volante em plena era da eletrificação.
Conversíveis estão desaparecendo
Com a saída do Z4, o único conversível restante na linha da BMW passa a ser o Série 4 Cabrio, vendido no Brasil por mais de R$ 500 mil.
O cenário reflete uma tendência global. Modelos icônicos como Audi TT e Porsche 718 Boxster também caminham para despedidas ou reformulações profundas. O espaço dos esportivos compactos e conversíveis vem sendo esmagado pelo avanço dos SUVs e pelas novas exigências de eletrificação.
Enquanto isso, a Toyota já confirmou que o Supra terá uma nova geração futuramente, desta vez sem parceria com a BMW.
Já do lado alemão, o silêncio sobre um sucessor do Z4 deixa no ar uma sensação amarga para os fãs da marca. O ronco dos roadsters parece estar ficando cada vez mais distante no retrovisor.



