A fiscalização contra escapamentos barulhentos saiu do campo das ideias e ganhou forma em uma cidade do interior paulista. São José dos Campos aprovou e já instalou o chamado radar anti-ronco, tecnologia voltada a identificar veículos que extrapolam os limites de ruído permitidos e combater a poluição sonora urbana. A operação está prevista para começar no final de 2025, com aplicação de multa de R$ 500.
O sistema utiliza câmeras acústicas equipadas com 21 microfones, capazes de localizar com precisão a origem do barulho e associar o excesso de decibéis a um veículo específico, seja moto ou carro. Os testes iniciais foram realizados no Anel Viário da cidade e serviram de base para a implementação definitiva do equipamento.
A medida faz parte de um projeto de lei municipal que busca reduzir o impacto do ruído no dia a dia da população, especialmente em vias de grande circulação. A iniciativa também colocou São José dos Campos como referência para outros municípios da região. Jacareí, por exemplo, já discute propostas semelhantes, seguindo a mesma linha de combate ao barulho excessivo no trânsito.
Apesar do avanço tecnológico e do respaldo em legislação local, o tema ainda divide opiniões no meio jurídico. Especialistas apontam que existe um vácuo na legislação federal, já que o Código de Trânsito Brasileiro e as normas do Contran ainda não preveem, de forma clara, a fiscalização automática de ruído por equipamentos remotos. Sem essa regulamentação nacional, há quem defenda que as autuações possam ser questionadas judicialmente.
Na prática, o radar anti-ronco se torna um teste de limites entre a autonomia municipal e a competência da União para legislar sobre trânsito. Enquanto isso, a população assiste ao início de uma nova fase na fiscalização urbana, onde o barulho do escapamento pode custar caro e virar tema frequente nos tribunais.




